Arquivo do mês: setembro 2010

Papinha prá não botar defeito

Como o tempo passa! Frase feita, mas real. Quando comecei esse blog, meu bebê só mamava no peito. Ele passou para mamadeira, entrou nas papinhas e agora começou a comer comida normal, conosco na mesa.

Deixo de fazer as papinhas. Ou melhor, passo a fazê-las quando der vontade – no bebê, em mim ou no maridão.

Mas aqui vão algumas formas de fazer papinhas deliciosas em 40 minutos:

1. Se você é como eu e não conhece batata doce, NÃO use. A papinha fica puxa-puxa, meio grudenta no céu a boca do bebê.

2. Faço as misturas numa panela normal, deixo cozinhar em fogo médio e vou acrescentando água até os legumes ficarem cozidos. Não uso panela de pressão, pois fica com muito caldo e sem sabor

3. Quase não uso sal.

Receita básica é assim: 1/2 cebola picada; 1/2 tomate picado (se der para tirar a casca, melhor); 100 grs de carne moída ou de frango picado (eu adotei carne orgânica para o bebê); um punhado de arroz ou de macarrão (o arroz cozinha junto com tudo. O macarrão você coloca quando faltar 10 min para desligar o fogo); três tipos de legumes e um tipo de verdura

Eu faço o seguinte:

a. Cebola na panela. Azeite por cima e uma pitada de sal. Refogo a cebola até ficar transparente em fogo alto. Jogo o tomate e deixo ele derreter ainda no fogo alto.

b. Coloco a carne ou o frango e refogo bem. Mudo para um fogo médio

c. Jogo o arroz e refogo mais um pouco. Todo esse processo dura mais ou menos 7 minutos

Antes de ligar o fogo, tem que descascar e picar os legumes e picar o vegetal. Quanto? Olha, depende de quanta comida você quer fazer. Eu penso assim:

1. Três batatas pequenas + uma cenoura grande + 1/2 beterraba / Quatro mandioquinhas + uma beterraba + meia abobrinha

Voltando à receita:

d. Coloco os legumes e os vegetais. Misturo e tampo por um minutinho

e. Em seguida, jogo a água e deixo ferver – Mais 20 minutos

f. Legumes cozidos, tiro a papinha e passo no liquidificador. Prontinho!

Constatações: a beterraba e o espinafre sempre predominam sobre todo o resto. Use em menor quantidade. O alface não tem gosto cozido, então é melhor lavar bem e bater cru com a papinha. Batata doce deixa a papinha puxa-puxa. Ervilha torta deixa uns fiapinhos que podem engasgar. Abóbrinha paulista pode ir com casca. Abóbora tipo moranga fica super gostosa. Fica legal colocar 1/2 maçã às vezes. Inhame, cará também dão um sabor especial. Criatividade manda. Varie as misturas de legumes e de verduras.

Cozinha maravilhosa da Ofélia

Avó é quem sabe cozinhar. Ou ao menos é essa a sensação que temos.  Elas é que guardam as receitas da família, que sabem fazer “aquele pão”, “aquele bolo”, “aquele doce” ou “aquele assado”.

Fico me imaginando como avó, cozinheira de mão cheia, detentora dos segredos dos temperos, com total domínio daquele bendito não sei o quê para deixar toda comida com gosto de comida da avó. O mesmo segredo misterioso que ronda os pasteleiros de feira e os cachorros-quentistas do parque.

Claro que avó nenhuma teria um blog de receitas de 1 hora. Imagine! Se minha avó – a mineira de forno e fogão Rita – visse uma coisa dessas teria a mesma reação que a Julia (Meryl Streep) teve ao conhecer o projeto da Julie (Amy Adams): total desprezo.

Comida de avó é coisa séria. Leva horas para ser feita, com a simpática velhinha mexendo a panela sem parar. Nada de panela de pressão. Comida de vó fica cozinhando lentamente durante 2, 3 horas. E ela, com toda paciência do mundo, pingando água de quando em vez para não queimar o cozido.

Avé que é avó acorda a casa com cheiro de café de coador e barulho do pão sendo amassado na pia de mármore – eita força que têm essas senhoras, não se enganem! Lá  pelas 10, a carne (temperada na véspera, óbvio) já está no forno. Depois vem o feijão e por fim aquele arroz com madioca.

E à tarde mais pão. Desta vez empapado com a geléia de morango ou o doce de goiaba e de abóbora que a vó ficou misturando no tacho, sem nem ligar para o calor (e a gente reclamando da menopausa…)

Mas os tempos não são mais da Ofélia, da Palmirinha ou da Tia Anastácia. Os tempos são de pressa, de comida caseira em restaurante, de cozinha de 1 hora, de panela de pressão e doce de supermercado. Pena. Ou não. Quem sabe ainda dá para preservar a magia e o gostinho do tempero caseiro? Esse é meu objetivo. Que a Dona Rita me ajude!

Como receita, aqui vai o link dos deliciosos “bolinhos da Tia Nastácia“. Eu nunca me esqueço do episódio com o Minotauro.